A Síndrome da Árvore Generosa: Quando o "fazer tudo" transforma você em um toco
- Joice Dominguez
- 26 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Existe um livro infantil clássico chamado "A Árvore Generosa". Na história, uma árvore ama tanto um menino que dá tudo a ele. Primeiro, suas maçãs para ele vender. Depois, seus galhos para ele construir uma casa. Por fim, seu tronco para ele construir um barco.
No final da história, a árvore não é mais uma árvore. Ela é apenas um toco. E o livro termina dizendo: "E a árvore ficou feliz".
Como psicóloga, eu preciso te dizer uma verdade dura, que talvez ninguém tenha te contado: Essa história não é sobre amor. É uma tragédia sobre codependência e autoanulação.
E, infelizmente, é a biografia de muitas mulheres que atendo no meu consultório.
A Linha Perigosa entre o Amor e o Desaparecimento
Cuidar da família é, sim, uma missão nobre. Mas existe uma linha tênue, e perigosa, que separa a dedicação da autodestruição.
Muitas mulheres atravessam essa linha sem perceber. Acreditam que o amor se mede pelo quanto elas conseguem suportar, ceder e silenciar. O raciocínio é quase matemático: "Se eu me diminuir, haverá mais espaço para eles crescerem".
Mas a conta não fecha. Porque toda vez que você coloca todos sistematicamente em primeiro lugar, você não está apenas sendo "boa". Você está ensinando à sua família que as suas necessidades são opcionais.
O "Depois" Nunca Chega
Você diz a si mesma que vai se cuidar "depois".
Depois que as crianças crescerem.
Depois que a casa estiver reformada.
Depois que a crise passar.
O problema é que o "depois" é um horizonte inalcançável. Enquanto você for funcional na sua exaustão, o mundo ao seu redor continuará exigindo de você. O mundo não para para cuidar de quem carrega tudo nas costas; ele apenas coloca mais peso.
A diferença crucial: Fazer tudo pela família é um ato de amor. Perder a si mesma é um pedido de socorro.
Quando você cuida com equilíbrio, existe presença e troca. Quando você cuida se anulando, o que sobra é um vazio silencioso e uma irritabilidade constante que você não consegue explicar. Você se torna o toco da árvore: útil para sentar, mas incapaz de dar sombra, frutos ou flores.
O Legado Invisível (A Verdade que Dói)
Aqui está o ponto de virada que costuma chocar minhas pacientes. Quando você se anula para "fazer tudo" pela família, que exemplo você está dando?
Se você tem uma filha, está ensinando a ela que amar significa desaparecer.
Se você tem um filho, está ensinando a ele que o papel da mulher é servi-lo até a exaustão.
Uma mulher saudável é a base de uma família saudável. Para iluminar a casa, você não pode se queimar até virar cinzas. Você precisa ser a luz, e a luz precisa de energia para se sustentar.
O Caminho de Volta: Reconstruindo o Tronco
Recuperar a sua identidade não é um ato de egoísmo; é um ato de sobrevivência e de responsabilidade familiar.
Não espere o colapso. Não espere o "pedido de socorro" virar um grito no corpo em forma de doença. O retorno a si mesma começa agora, com atitudes que parecem pequenas, mas são revolucionárias:
Dizer "não" sem culpa: O "não" é a cerca que protege o seu jardim.
Delegar não é pedir favor: É dividir a responsabilidade da vida adulta.
Permitir-se descansar antes de quebrar: Descanso é manutenção, não prêmio.
Você não precisa se esconder para que sua família brilhe. Pelo contrário: eles precisam ver você brilhar para entenderem o que é ser um humano completo.
Não seja o toco. Seja a floresta.
Você se identificou com a história da árvore? Sentir que você está desaparecendo dentro da própria rotina não é "coisa da sua cabeça". É um sinal de alerta. Se você quer aprender a estabelecer limites e reencontrar quem você era antes de ser "de todo mundo", eu posso te ajudar nesse processo.
Agende sua consulta e comece sua reconstrução.




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